quinta-feira, 15 de março de 2012

A novela Beira-Rio


Está ficando ridículo. Tão ridículo que até eu, que nunca tive a menor vontade de escrever sobre este assunto estou... escrevendo sobre isto!

O pior muito provavelmente não é a novela em si (a Andrade Gutierrez fará a reforma no Beira-Rio ou não?), mas o que ela revela sobre o estado de indigência da imprensa, e mais especificamente da imprensa gaúcha. Depois de meses de vai-vém e informações desencontradas, no momento que escrevo (quase oito da noite de quinta-feira dia 15/03) ficamos sabendo (?) pelo Correio do Povo que a AG está praticamente fora da reforma e o Inter, juntamente com os Governos Estadual e Municipal, já esta articulando um Plano "B". Ok. Já no site da Zero Hora, a manchete grita "Inter e Andrade Gutierrez teriam fechado últimos detalhes nesta tarde".
A primeira pergunta, lógico, é quem tem razão? Mas não é esta a pergunta mais importante nesta novela. Depois de 265 de obras paradas e mais não sei quantos dias de formatação e procura de parcerias para as obras, como é que a imprensa é incapaz de contar uma história coerente sobre o que está acontecendo? Isto é o mais irritante. Faz um ano que a gloriosa "imprensa livre" bate cabeça, não investiga nada e se limita a servir de mensageiro da opinião (e interesses) de distintos grupos comerciais, políticos, de dentro e de fora do Inter. Para que serve uma imprensa destas? Vejam bem, eu sequer estou me referindo às perseguições políticas (assassinato de reputações, como diz o Luís Nassif) e opiniões conservadoras emitidas por esta imprensa. Estou me referindo à uma pergunta freqüente dos articulistas do Observatório da Imprensa: ninguém mais tira a bunda da redação e tenta investigar alguma coisa? Reportagem agora é simplesmente ficar reproduzindo opiniões de "autoridades"?
Simples assim: este é um exemplo prático de porque não compro mais jornal, nem de Porto Alegre nem do centro do País. Para quê?
Além disto tudo, temos o que sem dúvida é o mais importante do ponto de vista da cidade. Afinal: qual é o verdadeiro legado (impacto) das obras da Copa? Como elas definirão processos de ocupação do espaço urbano nos próximos anos? Isto sim precisa ser discutido. E como sempre na "imprensa", nada disto parece chamar a atenção. Só estão preocupados com o custo e o cronograma, reclamando que as obras estão atrasadas. Mas, vejam só um único exemplo: alguém já se preocupou em saber como será o transporte público com a introdução dos BRTs? O que mudará na rotina dos usuários do transporte coletivo?
Por que ninguém faz reportagens sobre estas coisas?

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